quarta-feira, outubro 26, 2005

Novas nozes,velhos dentes

De António Gedeão,em "Linhas de Força"



POEMA DA MORTE APARENTE


Nos tempos em que acontecia o que está acontecendo agora,
e os homens pasmavam de isso ainda acontecer no tempo deles,
parecia-lhes a vida podre e reles
e suspiravam por viver agora.


A suspirar e a protestar morreram.
E agora,quando se abrem as covas,
encontram-se às vezes os dentes com que rangeram,
tão brancos com se as dentaduras fossem novas.



Quem de entre os amigos quer dar nozes a estes dentes?


JGEsteves

1 Comments:

At 31 outubro, 2005 10:48, Blogger Aqueduto Livre said...

A argúcia...sempre!
A escolha...melhor não pode ser!
A circunstância...perfeita e adequada!
O tema e o autor: um achado para mim.

Um desabafo: gostava de te ler mais amiúde,pois é sempre um bálsamo, nestes tempos cinzentos e tristes que correm - discorrer na tua prosa, própria ou feita de "psitações".

Um abraço.
J.Albergaria

 

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